terça-feira, 16 de maio de 2017

Não sou a Rapunzel. Mas gostava.

Um assunto que tem despertado o meu interesse ultimamente é os pequenos-almoços dos portugueses.

Agora que ando em reeducação alimentar* (cenas dos próximos capítulos), tenho andado obviamente mais preocupada com aquilo que meto cá para dentro. E eu, que sempre fui magrinha e assim a dar para o jeitosinha (adoro dar material às minhas haters do coração), sempre comi toda a porcaria e mais alguma - só não comia a própria embalagem das porcarias que consumia, porque depois a digestão demorava muito e não tinha espaço para comer mais logo a seguir - dou por mim à procura de opções saudáveis, mas que não me deixassem com vontade de comer a minha própria mão.

E é aí que me deparo com todo um mundo de gente que... pasmem-se!, come uma torre de panquecas todos os dias de manhã. Sim, é isso mesmo.
Para mim, as panquecas sempre foram daquelas coisas que uma pessoa faz quando não há pão em casa e não apetece ir à rua, ou quando quer fazer um lanchinho mais upa upa. Pequeno-almoço é pão com manteiga pá, não me lixem!

Eu não sou nada dada a redes sociais, não gosto do FaceBook, não twitto, não tenho uma conta no Pinterest e nunca entrei no Snapchat, mas sou viciada no Instagram. 
E no Instagram (nas outras redes não sei) todos os pequenos-almoços são uma torre de panquecas. Ah, as papas de aveia com framboesas também estão super em altas e obviamente as bananas do mundo inteiro estão em perigo de extinção, a julgar pela quantidade de banana que os instagrammers comem.
Será que há aqui um viés de seleção na minha análise? Ou seja, será que isto é só um fenómeno de Instagram?

E depois fico a pensar: mas estas pessoas acordam mais cedo todos os dias para fazerem isto das panquecas e das papas?! É que eu quando quero comer tapioca durante a semana de manhã ou mesmo uma panqueca (não como uma torre, não sou a Rapunzel, para me colocar em cima de uma torre, pessoas - mas até gostava de comer uma torre de panquecas todos os dias, já que não posso comer dois pães "cummanteiga"); dizia eu, quando quero comer uma tapioca ou uma panqueca, acordo mais cedo para fazer, não consigo estar ali de roda da frigideira como se tivesse todo o tempo do mundo, quando há toda uma A5 para enfrentar! 

É que perdi mesmo algum tempo a pensar nisto das panquecas e a estudar caso a caso. 
E depois resolvi desenvolver mais o meu case study e passei para os almoços. Todas as pessoas comem todos os dias ovos e abacates e salmões. Às vezes perdem a cabeça e atacam um peito de frango. Na loucura um peixe grelhado com uma saladinha. 
Mas está tudo doido?! Não há migas, nem feijoadas neste país?!? Esparguete com frango estufado?! Arroz de grelos?! Um jaquinzinho ou outro? Nada?!...

A minha mãe diz que isto-é-só-para-o-instragram-essas-pessoas-comem-igual-a-nós-filha-não-te-maces-com-esse-assunto. E foi aqui que eu me insurgi. Mais com a parte do "nós". Eu não como igual a ti, mãe, ok?! Eu estou em REEDUCAÇÃO ALIMENTAR.

Mas talvez a mastermom tenha razão. 

Amanhã quero tudo a mostrar o seu pão com manteiga. E só para efeitos estatísticos, vou também comer um pão com manteiga (ou dois) ao pequeno-almoço.


* Expressão para DIETA para quem não quer assumir que está de dieta

domingo, 5 de março de 2017

Casamento à quarta-feira

Vocês querem é festa, não é?
Pronto, eu conto tudo.

Themasterbedroom é oficialmente mãe de uma menina de 4 anos. Sim, há 4 anos themasterbedroom estava de perna aberta numa marquesa a parir um leitãozinho de 4 kg. E esta, hein?

Ora isto das festas de aniversário tem muito que se lhe diga. É vivendo e aprendendo. Como este foi "apenas" o quarto aniversário, não há ainda grande histórico.
O primeiro juntou-se com o batizado e a festa foi numa quinta. Fair enough. O segundo foi em casa, só com a família mais próxima e sem miúdos (mas claro que invariavelmente me acontece aquela coisa de olhar para o lado e ver alguém no meu sofá, que é só a segunda ou terceira vez que vejo na vida - a pessoa, não o sofá. "Família próxima", portanto). No terceiro aniversário, themasterbedroom perde o amor ao dinheiro, aluga um espaço, enfia lá comida e pessoas e eles que se desunhem para ver quem chega primeiro aos croquetes.

E eis que chegamos ao quarto aniversário.

Themasterbedroom andou aí a ter umas semanas complicadas. Spé complicadas, que uma pessoa nem sabia para onde se virar. 
E perante isto, quando a mana da themasterbedroom pergunta "Então e os anos da Maria? Faltam 3 semaninhas, hein? Já tens tudo pronto?" é quando ponho os dedos na tomada e levo um choque. Ou como quem diz, só nesse momento é que me lembrei que sim senhora, tenho uma filha e que sim senhora essa filha iria fazer 4 anos dali a três semanas.

Aos 4 anos os miúdos já têm "consciência social" (uuuuhhhhh...) e querem festas com os amiguinhos todos, os primos, os vizinhos e o gatinho que viram na árvore no Natal de 2012. 
Não faz mal, em equipa que ganha não se mexe, por isso themasterbedroom resolve que vai alugar um espaço, enfiar lá os miúdos, balões e um bolo e fechar a porta muito bem fechadinha.
O que não me lembrei é que isto dos aniversários é pior que os casamentos, a pessoa quer casar dali a três anos e os-sábados-já-estão-todos-reservados-até-2021. "Tenho aqui um buraquinho numa quarta-feira de manhã em 2019. Serve?"...

Bom, voltando aqui ao aniversário. Como podem imaginar, todos os espaços que tentei reservar já estavam ocupados para o dia do aniversário da Maria (que calhou num sábado, portanto a festa coincidiu com o dia do aniversário).
Todos não. Havia um pavilhão desportivo na C+S da Pampilhosa que estava disponível. Mas pediram-me 475 € por 15 crianças (sem lanche incluído) e eu pensei... "Hum... a Maria ainda há de fazer tantos anos nesta vida*, que se não celebrarmos este, ela nem dá por nada..". Vá, não era na C+S da Pampilhosa, era aqui mais perto, mas o resto é verídico - incluindo a parte do pavilhão, dos 15 miúdos e dos 475 €.

À medida que os dias passavam, era óbvio o que iria acontecer e que aconteceu, efetivamente: fazer a festa da Maria com os amiguinhos em casa (ufa, até me custou repetir este pensamento do demo).
Não vai correr mal. Uma casa tão grande há-de servir para alguma coisa!...

E vá de enfiar 20 miúdos e 10 pais em casa. E achar que a super mãe é aquela que faz tudo e não compra nada feito. E que a Frozen é um ótimo tema para uma festa. E que há decoração da Frozen à venda em todo o lado, por isso deve ser baratíssima (desenganem-se quanto a esta parte. Ainda estou chocada com 20 guardanapos DE PAPEL a 5 € e toalhas de mesa descartáveis a 15 €).

Sempre imbuída do espírito de super mãe e do pensamento vá-é-só-uma-vez-por-ano, lá me pus ao assunto "Missão Aniversário Frozen".

Comecei por fazer uma lista de tudo o que iria precisar. #poisdevias
Nah, com esta não engano ninguém... Eu simplesmente não sou essa pessoa. Eu sou a pessoa que comprou guardanapos 2 vezes, porque não se lembrava se sempre tinha cedido ao disparate dos 20 guardanapos a 5€ ou se teria tido juízo. Eu sou a pessoa que comprou copos 3 vezes, porque das duas primeiras achou que não iriam ser suficientes e que acabou com um conjunto de 150 copos para uma festa de 30 pessoas. Eu sou a pessoa que comprou 3 kg de açúcar "porque os bolos levam açúcar", quando tem uma despensa onde já estavam outros 5 kg. Yep, meet me at my very worst.
.
Portanto, com esta pequena amostra podem imaginar o nível de organização da pessoa - #zero.

"Se não usar este ano, fica para o próximo". E com este pensamento, acabei a quadra aniversalícia com material para os aniversários da Maria até aos seus 15 anos.

Como isto já vai longo e ainda mal comecei, vamos passar à parte que vocês querem saber.

Se fiz tudo em casa? Sim. E porquê, themasterbedroom? Porque acho que: 

1. Sai mais barato - não, não sai. E por mais que pareça que sim, acreditem que não. 
2. Faço melhor - não, não fazes, querida. Não és doceira, não sabes fritar salgados, não tens uma impressora decente em casa e NÃO TENS TEMPO.
3. Faço mais bonito - esta vou deixar passar. O blog é meu.
4. Tenho ajuda - mãe, estás no coração. Mas piri-piri nos pastéis de massa tenra numa festa para crianças... err... mas amigas como antes. 

E estes quatro argumentos pareceram-me na altura mais do que suficientes para justificar fazer tudo em casa.

Então e o bolo? Não dedicas um parágarfo ao bolo, Jéssica Sofia? 
Claro que sim, caríssimos leitores. Então eu saía daqui sem explanar sobre a minha nova skill?!...

Quando pensei no bolo, quis mesmo ser eu a fazer. 
Voltando aos anos anteriores: no primeiro ano, como tinha batizado incluído (e aniversário do pai da Maria, que faz no dia seguinte) mandei fazer o bolo. Eram duas gaiolas (eu e os passarinhos...), o desenho que dei de exemplo era lindo, mas o bolo não saiu propriamente como eu queria. Paguei uma fortuna e fiquei muito triste com o resultado. No segundo e terceiro anos, mandei fazer bolos branquinhos e depois decorei com uns bonecos do respetivo tema e pronto. 

Mas este ano queria mesmo fazer o bolo e decorá-lo. Sentia-me capaz disso, de tantos bolos que vi online. 

Eu sou aquela pessoa que vive dentro do YouTube. Eu poderia viver uma vida paralela no YouTube. Tipo TheSims, mas em YouTube. Não há nada que não esteja no YouTube, não há nada que não se aprenda por lá, que alguém não tenha perdido tempo a explicar passo-a-passo. 

Como tenho a sorte de ser fast learner (haters, podem pegar nisto, já que têm pegado em tão menos...), lá fui eu procurar quem me ensinasse.
Detesto falsas modéstias, portanto sim, eu acho que aprendo depressa e nem preciso de ver as coisas muito ao detalhe, normalmente olho e consigo perceber mais ou menos como é feito e replicar. E não me costumo sair mal. 
Portanto decidi que iria fazer um bolo decorado com pasta de açúcar. 
A minha ideia era um com dois andares, daqueles mesmo "wow", mas a minha mãe torceu o nariz, porque iria sobrar imenso, além de não se justificar, em termos de "imponência" da coisa. Fair enough. Em boa hora concordei em fazer mais pequeno, embora tenha sobrado, foi o tamanho ideal.

Voltando ao YouTube, lá fui ver como é que eles fazem aquela parte de estender a massa e colocar em cima do bolo sem ficar irregular, sem buracos, homogénea, lisinha, ver se havia alguma dica que eu devesse saber antes de começar, etc. 

Acho que o bolo ficou lindo (haters, mais uma para vocês), apesar de simples. As bonecas da Elsa e da Ana ajudaram, ter encontrado o cortador de massa em forma de floco de neve também. 
Sobre preços, ainda estou um bocadinho em choque com os preços do material de cake design.
Para quem nunca fez e não tem nenhum material, é na verdade um investimento inicial carote. 
O bolo acabou por sair muito caro, porque não tinha noção nenhuma das quantidades. Comprei 2,5 kg de pasta de açúcar branca e usei meio kg. Além do branco, comprei as outras cores de pasta de açúcar e como não vendem pedaços pequenos, acabou por sobrar imenso. A validade da pasta é de um ano, por isso ou bem que faço bolos de enfiada nos próximos meses ou despediça-se. O CMC também é caro que dói (o CMC é a "cola" que se usa para aplicar a decoração). As próprias bonecas do bolo (que fizeram toda a diferença) custaram os olhos da cara, mas o tem-de-ser tem muita força.

Enfim, para quem faz habitualmente e já tem algum material, o custo vai-se diluindo, mas só para uma vez não sei se se justifica.
No meu caso, como fazia muita questão de ser eu a fazer o bolo, foi assim. Claro que agora fiquei com vontade de fazer mais, portanto não acredito que vá desperdiçar muito. 

Sobre o resto das coisas: por ser uma festa para crianças pequenas, tive cuidado com os menus. Tentei fazer "comida de festa", mas em saudável. Coloquei tudo em doses individuais, porque acho que resulta melhor para miúdos pequenos (não fazem tanta porcaria a servir, quando vão sozinhos), além de ficar mais bonito. 
A decoração da mesa foi do mais simples que há: as minhas gipsófilas do coração em vasinhos ikea e pronto. Cartõezinhos com a descrição das coisas e pouco mais.

Fazer em casa acabou por não correr assim tão mal. Os miúdos entretêm-se bem uns com os outros e ter uma zona exterior ajuda, porque eles são capazes de passar 3 horas a correr em círculo, sem dar por nada. Parecem peixinhos.

A Maria adorou a festa, os amiguinhos também, os pais também. Só me desampararam a loja perto das 19h, quando a festa supostamente terminava às 17h30 (aprendi recentemente que nos convites para festas de criança temos de colocar hora de "encerramento" para os pais saberem a que horas devem ir buscar os filhotes - faz sentido, não faz?). Alguns pais ficaram durante toda a festa. Não ajudou muito, porque tinha de estar de olho nos miúdos**, mas ao mesmo tempo dar atenção e conversar com os pais. 

Eu sei que vocês querem é ver as fotos e que provavelmente nem leram o texto, por isso, aqui vão algumas fotografias da decoração.





















* Amén
** Deve haver uma regra qualquer entre pais, filhos, pais dos outros e filhos dos outros, porque na casa dos outros, esses outros é que são responsáveis pelos filhos dos outros. Não se percebe.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Eu tenho um pipi

Hoje estou tão feliz por ser dia dos namorados que vim cá partilhar a minha felicidade. É que "diz que" partilhar multiplica, por isso deixa ver se me calha alguma coisa.

Contrariamente ao espírito do já-não-posso-com-o-são-valentim, tirem-me-o-gajo-da-frente, se-vejo-mais-um-coração-enfio-to-onde-o-sol-não-brilha, eu ADORO o Dia dos Namorados.
E como tal, vou desenvolver todo um argumentário para vos convencer de que este há-de ter sido o melhor dia inventado pelo Homem. Quase tão bom quanto o Dia da Mulher. Mas o Dia da Mulher cheira-me que foi invenção de um homem e não "do Homem". Foi um tontinho qualquer com vontade de pintar o calendário.

Já nem me lembro onde ia. Já sei. Estava prestes a discorrer a minha teoria. Então por que raio adoras o Dia dos Namorados, Ana Rita? (encarnei a prima outra vez).

Vejamos.


No trabalho: 
Neste dia, o mulherio anda bem disposto. Toda a gente sabe que trabalhar com gajas é pior que a sogra sonsa. Mas no Dia de S. Valentim, como sabem que (em princípio) a coisa até lhes vai correr bem later on, estão mansinhas que só elas. Um gosto. Uma pessoa pede uma digitalização e é vê-la cair no email como que por magia. Pede uma sala e tem duas ou três à escolha. Pede almoço e com jeitinho aparece Sushi do bom. Enquanto o mulherio anda com um sorriso de orelha a orelha, a ala masculina cruza-se nos corredores e faz aquele ar condescendente género "epá, nem me digas nada", ou "eu sei, está quase, amanhã já é dia 15 e depois só para o ano! Coragem!"
Eu tenho um pipi, mas nestas coisas até me junto à ala masculina. 

No colégio dos miúdos:
Os educadores passam a semana anterior a pedir fotografias dos pais apaixonados, dos avós apaixonados, dos filhos apaixonados pelos animais de estimação, corações enfeitados com massas (mas agora dei para desperdiçar comida ou quê?!). Chego ao colégio e nem consigo andar pelos corredores para entregar a rapariga, sem levar com corações na tromba, olho para cima e está o teto cheio deles. No chão também há, tenho de andar aos saltinhos para não pisar aquela trapalhada toda. No meio disto tudo, põem os miúdos a fazer mil coisas relacionadas com um dia que eles nem entendem (na verdade, na idade da minha filha, não devem compreender nem metade do que fazem durante o dia, mas "prontes", está no plano educativo, por isso a pessoa assina por baixo com um sorriso e agradece). A parte boa? Enchem os putos de atividades, chegam a casa tão cansados que caem para o lado num instante. Tempo extra para mim, que não arranjo as sobrancelhas desde que a Maria nasceu.


Na rua: 
Elas andam todas com um sorriso cúmplice umas para as outras. Deus me livre que alguém me sorria assim um dia, parece que fazem parte de um culto, some sort of I-know-what-you-did-last-summer. Ou neste caso "I know what you're doing tonight". Creepy. Por sorte, eu devo ter cara de homem, porque não me sinto lá muito integrada nessa irmandade secreta que as faz comunicar sem falar. Parecem baleias a chiar. 
Eles andam todos atrapalhados com flores debaixo de um braço (que depois de uma viagem de metro e duas de autocarro, vão chegar a casa a parecer aquelas florinhas amarelas apanhadas pelos miúdos no parque da escola. Been there.) Na mão do outro braço, levam um saquinho com uma lingerie super sexy, que a menina da loja lhes recomendou. 4 tamanhos acima, porque eles veem mais ou menos o que querem, coitados, e num modelo que ela nunca usaria. A menina da loja é uma engraçada, isso sim. Debaixo do braço dessa mão (isto das mãos e braços é uma relação biunívoca: a um braço corresponde uma mão, a uma mão corresponde um braço). Sim, debaixo do braço dessa mão, levam uma caixa de bombons "Merci", porque leram no blog d' O Arrumadinho que as gajas adoram um homem agradecido por as ter na sua vida. "Merci" até é estrangeiro, ela vai adorar de certeza. E na boca, assim meio de lado, levam a fatura-com-contribuinte, que ouviram no Minuto de Economia que aquilo das faturas dá pontos ou lá o que é. Haverá cenário mais engraçado?! Porra, adoro este dia.

Em casa, depois do trabalho:
Os avós ficam com os putos. Quem não tem avós lixa-se à grande, porque ou não há dinheiro para babysitters (spé chique ligar à babysitter para lá ir a casa tomar conta dos "meninos"), ou a dita da babysitter está também ela a ter o seu jantar romântico com o mais-que-tudo e diz "adoraria, mas hoje não consigo, estou com diarreia e tenho medo de passar algum bicharoco aos meninos". 
Bom, mas faz de conta que os miúdos estão despachados, nem que seja para a vizinha do lado que está encalhada e assim como assim só ia passar a noite colada à novela da noite, que hoje diz que é episódio especial.
Banho tomado, aquele perfume especial que até tinha sido presente de Natal da cara metade (por acaso até era outra cara metade, não era esta metade que hoje celebra o Dia dos Namorados, mas isso são detalhes que agora não se revestem de particular relevância). Uns trapinhos giros e estamos prontos para sair. Ela confia que ele tem reserva para dois naquele restaurante da moda. Ele, coitado, nem sabe como se chama o raio do restaurante apesar de ela ter passado o mês e meio anterior a falar nele. Acabam a jantar numa tasca lá do bairro, contribuem para o comércio e serviços locais. Mais 10 pontos para o São Valentim, choca aí!

Na manhã seguinte:
Elas estão com umas trombas deste tamanho, porque raios!, eles não acertam uma. 
Eles estão tão aliviados por já ter passado o dia, que ficam mansinhos, nada de piropos ordinários, nada de má-criação no trânsito, uns anjolas.

Online:
Toda a gente feliz, as redes sociais todas floridas, toda a gente mostra o seu presente, toda a gente mostra onde jantou, o que jantou, com quem jantou, o pessoal satisfaz a curiosidade e ficamos todos bem.


Venham mais dias destes!


Sim, sou horrível e vou arder no Inferno. Mas por enquanto vivo bem com isso.





terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Mémés a pastar

Pensavam que eu já cá não vinha mais? Nada disso. Só não tinha nada de interessante para vos contar.
Mas eis que fui passar o fim-de-semana fora e resolvi vir contar tão bela experiência.

Primeiro, e apenas a título de enquadramento, dizer-vos que esta vossa amiga e o seu ilustre marido são o casal mais nada a ver do mundo. Somos diametralmente opostos e não me venham cá com tretas de que os opostos se atraem. Estes dois opostos em particular repelem-se muuuuuuito, quando um dos opostos se apresenta de capacete e blusão e botas, mais parece um boneco da Michelin ou um astronauta.
O outro oposto (sou eu, muito prazer), gosta de uma tarde de esplanada, um bom brunch, um SPA, uma tarde de compras, c'mon, vocês conhecem-me...

E depois entra a parte das "cedências". Ah e tal, para que um casamento resulte é preciso fazer cedências. Pronto, está bem, eu faço cedências. Vamos passar o fim-de-semana a um SPA Hotel. Em troca, não se leva carro. Opção?... Mota. Er... está bem. Eu cedo.

Automaticamente o meu cérebro começou a trabalhar mais depressa do que a minha capacidade de dizer "no way". E o que o meu cérebro pensou foi: "Onde é que eu vou levar as minhas coisas todas?! "É que na top case - aprendi que aquela cena de guardar coisas que as motas têm chama-se top case e não coisa - não me parecia sequer caber o meu secador de cabelo.*

Reduzi a minha lista de musts a meia dúzia de pecinhas. Não tinha intenções muito diferentes de passar o fim-de-semana com um fato de banho e um robe turco, portanto... fair enough.

Equipei-me devidamente para a viagem propriamente dita: collants polares, calças bem justas para não entrar frio, calças impermeáveis, três camisolas, dois blusões e um infinito (um infinito é uma cena daquelas de aquecer o pescoço, que não são cachecóis). Não chovia. Por enquanto.

Fim-de-semana fantástico, a mota ficou estacionada no parque do Hotel. A pessoa ficou de molho numa pisicina a 30º, massagens, boa comidinha... era mesmo isto.

No regresso a Lisboa (fomos para Tróia), marido fica incumbido de ver os horários do ferry. Ok, apontamos para este e lá vamos nós. À chegada à bilheteira, o senhor simpático (#not) diz que não há nenhum àquela hora. Mr. Husband tinha visto sentido Setúbal-Tróia e não Tróia-Setúbal. 10 pontos para ti, querido. Nem checar os horários do ferry eu posso delegar. #nãoosopostosnaoseatraem

Marido resolve sozinho que já que falta meia hora, vamos por Alcácer, porque não quer esperar meia hora. Na verdade, a vantagem (para ele) de eu estar em cima de uma mota é que não tenho oportunidade de opinar, porque não nos ouvimos. Obviamente eu teria optado por esperar a tal meia hora, porque aquela meia hora de espera seria rapidamente compensada pelo encurtamento da distância. Mas toda a gente sabe que os homens não têm a mesma lógica de raciocínio que nós, mulheres. É um handicap deles. É aceitar a limitação e pronto. E enquanto faço este raciocínio, já ele arrancou para Alcácer. 147 km à minha espera.

Nisto começa a chover torrencialmente. É nesse momento que eu decido que nunca mais na vida me apanham em cima de um veículo onde a única coisa que me separa da chuva é... é nada, senhores, NADA.
Naquela azáfama de pegar em tudo o que me poderia ser útil, tinha pegado numas luvas de mota de Verão, fresquinhas, bem boas. E rotas. E 2 km depois (relembro que no total iríamos percorrer 147...) já não sentia as mãos, de molhadas e geladas que estavam.
A parte boa da chuva, para além de nos chover em cima, é que os carros à frente e ao lado a atiram toda diretamente para cima de nós. O que é também dá pontos é o capacete não ter limpa para-brisas. Porque... não há para-brisas, senhores, NÃO HÁ PARA-BRISAS. E não é que o que eu tenha levado na fronha fosse uma leve brisa...

Tirando a chuva, outra coisinha boa disto de eu e as motas é eu não mexer um único músculo enquanto lá estou em cima. O rapaz bem vai apontando a paisagem, os arrozais de Alcácer, etc. Mas filho, percebe uma coisa: quando estou em cima de uma mota em alta velocidade com lençóis de água na estrada, a última coisa que vou fazer é olhar para o lado. E quando tu tiras a mão do guiador para me mostrar os mémés a pastar que-bonitos-que-eles-saõ, gela-se-me o sangue e perco 30 anos de vida por cada segundo em que a tua mão se passeia fora do guiador.
E quando o sangue gela, os músculos prendem (mais do que já estavam) e esta pessoa não se mexe. É um ciclo vicioso.

A verdade é que da primeira vez que montei naquela mota, o rapaz disse: "Vá, só tens de tentar não te mexer demasiado, e o resto é pacífico." Como é que eu interpretei esta informação? Da seguinte forma: "Não te mexas, senão a mota desequilibra e caímos e... não queres cair, pois não?!" Foi assim que me soou. E é tão só por este motivo que eu não me mexo quando lá estou em cima.

Então e tirando tudo isso, foi bom?
Sim. Durante 140 km estive encharcada, a levar com chuva em cima, frente e dos lados, com comichão em todo o lado - nunca ninguém endereçou esta importante questão: o que fazer quando temos comichão na ponta do nariz e não podemos mexer-nos?
Outra coisa chatinha é eu ter tiques com o cabelo. Tipo aqueles tiques à beto. Esta pessoa mexe no cabelo de 2 em 2 segundos. Saber que tenho um capacete na tola e que não posso mexer no cabelo (não posso mexer em nada, na verdade), também não ajuda.

Porra, gosto mesmo de andar de mota.


* Obviamente não fui autorizada a levar o secador, ficou em terra.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Filho da mãe.

Consoada... check.

Avó, pais, filhos, tios, primos e uma senhora que eu devo ter visto duas vezes na vida. Há sempre uma senhora que só vimos duas vezes na vida. E que é sempre diferente da do ano anterior. É a dona não sei quantas, que coitada, ia passar o Natal sozinha, então trouxemo-la. Pronto, está bem, sente-se e esteja à vontade. Com sorte até se arranja uma caixa de Ferrero Rocher que compro sempre a mais para as pessoas de quem me esqueço. Aquelas que obviamente estão no coração. #not

Ora, a Tia continua igual a si própria (com tudo o que isso significa), a Avó esqueceu-se dos dentes e era impossível ouvi-la falar sem me desatar a rir. Os primos continuam a debitar a matéria de História em vez de falarem sobre as personagens da patrulha pata (são dois primos que devem ter ali uma sobredotação escondida, é só assustador observá-los) e o Tio a cada ano que passa ganha 10 kg.

Tudo na Paz do senhor, portanto.

Vamos à manhã de Natal.
Ora ontem, quando foram todos fazer o seu óó, aqui o vosso raio de luz foi montar o cenário para a manhã seguinte.
A chave do Pai Natal, para quem não tem chaminé (que viram no Instagram), ficou no tapete, do lado da rua. 
A caneca de leite e o pratinho com biscoitos ficaram no primeiro degrau, no hall. E pronto, foi o que ficou. Ala todos para a cama, que já é tarde.

Mas...
Pé ante pé... a mamã (eu, portanto) levantou-se, vestiu o seu robe super sexy de cetim vermelho (não, era mesmo de flanela aos quadrados, daquele padrão dos velhotes).

Às 2 da manhã, esta mãe desenhou uma pegada, recortou o interior (para fazer um stencil - pronto, um molde!!), e colocou quatro pegadas no chão, com spray de neve e o molde.

Depois enfiei os presentes da Maria* para dentro do saco, comi as bolachas (que eu não sou parva nem nada (mas a Media Markt não me dá nada em troca) e não recuso biscoitos seja a que horas for - mesmo às 2h da manhã) e bebi o leite. Ainda tive a lata de espalhar umas migalhas ali nas imediações, para tornar a coisa mais credível.

E pronto, fui finalmente enfiar-me na cama.

Esta manhã... bom... esta manhã (além de me ter sentido a pessoa mas parola do mundo por não ter filmado a reação), senti-me a mamã mais fixolas das redondezas.

A Maria, que tem 3 anos, nem conseguia articular bem as palavras, estava qualquer coisa entre maravilhada, surpreendida, intrigada, mas sobretudo feliz. "Ele esteve cá! Ele esteve cá!"

Entretanto abrimos a porta e a chave já lá não estava no tapete! "Ele veio mesmo!"

Pois, a Maria estava muito feliz e entusiasmada, mas a mãe estava muito aborrecida, porque o Pai Natal deixou pegadas de neve por todo o lado.
Até a Maria (ou sobretudo a Maria...) sabe que ninguém entra em casa com os sapatos calçados. É uma regra. Está escrito nos livros, pronto.
Mas se calhar o Pai Natal não sabe que a Mãe é assim um bocadinho comichosa... E eis que a Maria me diz "Ó Mamã, por favor, não fiques aborrecida com o Pai Natal por ele não ter descalçado as botas! Ele não sabia".

Pronto, lá fiz as pazes com o filho da mãe do Pai Natal (que me deixou pegadas por todo o lado), que realmente o senhor não adivinha. E mesmo que soubesse, não me parece que um homem daquela idade ainda consiga baixar-se para se descalçar sozinho. Olha, na volta ainda bem que não se descalçou, ainda me chamava para o ajudar e eu teria de sair do quentinho.

Bom, mas nisto tudo, a Maria (que em inteligência deve ter puxado o seu papá), não tinha ainda percebido ainda que dentro de saco estavam os presentes que tinha "escrito" (e bradado aos quatro cantos do mundo) na carta ao Pai Natal.

Arrastou o saco por ali abaixo (devo dizer que arrastou também a neve e que a mamã se arrependeu rapidamente da sua tão boa ideia de espalhar neve por todo o lado) e pronto, o resto podem imaginar. Uma criança feliz. Mas mesmo feliz, porra.

Para mim, o Natal acaba daqui a umas horas. Quando já não puder ver sonhos à frente, nem rabanadas, nem bolos, nem perus, nem bacalhaus, nem a mousse de maracujá (essa já deixei de poder ver à frente há uns bons anos - TIA NÃO GOSTO, NÃO QUERO,  NÃO TRAGA NUNCA MAIS, NÃO INSISTA!).
Mas estas memórias, estas espero mesmo que não acabem nunca, pá.


* Quanto as presentes... Mãe, este fato do "Máshall" é de "munino", eu quia era a "Évaste". E eu não pedi esta Bábie, era aquela que canta. E eu quia "o" carro Blaze, não era um puzzle do Blaze. E não queio este pijama, faz "quenti". E onde tá o carro da Bábie? Não goto desta munheca.

Não te preocupes, filhota. A mãe guardou os recibos todos e não se chateia nada que não tenhas gostado.

Antes que digam que coitadinha da menina, não gostou dos presentes, não vai ter nada para brincar, a Segurança Social que a vá buscar, tenho a dizer em minha defesa que o saco de plástico onde vinha a camisola de lã linda de morrer que a Tia me deu (tamanho L - será que as pessoas acham que sou uma falsa magra?!), fez as delícias da Maria.

 
 
 


sábado, 24 de dezembro de 2016

A Jéssica Leonor está ocupada, por isso vim eu

Ora diz que hoje é dia de noite de consoada. "Dia de noite"?! Estás bonita, estás.
Sendo "dia de noite" de consoada, já sei que ninguém cá vem ver se sim senhora ela está bem, passou bem a semana, etc. 
Mas depois, quando passarem as festas e vocês já não tiverem coisas muito interessantes para fazer e os bombons já tiverem acabado (e se abater sobre vocês aquela culpa que se abate normalmente sobre a lontra depois de ter comido um balde de peixe), vai saber-vos bem vir cá e saber que eu afinal tinha passado para vos desejar um feliz natal.

Feliz Natal!
Bora lá comer os nossos baldes de peixe, que em 2017 logo se faz dieta.

 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A Ana Rita vai desencalhar e eu sou uma camêla

Estou feita ao bife convosco.
Uma pessoa distrai-se e quando volta ninguém deu pela falta. Então está bem.
Já não quero brincar às mesas.
Quem viu no Insta, viu. Quem não viu também não há-de estar muito triste com o assunto. Triste é chegar à Zara Home e já não haver talheres dourados, isso sim.

Bom, isto das mesas é giro, mas mais giro ainda é a série trapinhos! Quem não gosta de uma boa sessão try on? Sim, não me lixem, não me venham cá mostrar roupa em cima da cama, que para isso vou ao Google procurar lookbooks.

Bom, então aqui vão as sugestões de looks para o Natal.

Eu sempre fui menina para não me preocupar muito com look natalício, porque o meu Natal sempre foi em casa dos pais, ou em minha casa. E não indo para sítios onde é preciso fazer "cerimónia" (poupem-me a Natais desses, sff) então também nunca foi preciso escolher a roupa, como se de um  qualquer evento se tratasse.
Mas depois olho para fotografias de Natais anteriores e é triste perceber que está toda a gente com bom aspeto e aqui a pessoa está de cabelo desgrenhado (nem um brushingzinho senhores, nem um brushing!), uma roupa de andar por casa e umas pantufas. E nós não queremos estar assim no Natal, queremos?!
Portanto toca a escolher um trapinho para vestir na Consoada. E já agora outro para o Dia de Natal.

Selecionei 6 opções para vocês, para não dizerem que eu não sou uma miúda versátil.

A primeira, é um vestido vermelho.
Eu sou um bocadinho monocromática, como já terão reparado. À exceção das riscas, quadrados e pied de poule, não costumo usar padrões.
Por isso tenho uma coleção apreciável de roupa color-block (toda de uma cor). E vestidos vermelhos são  alguns (muitos!), confesso. É que o vermelho é uma cor que sozinha faz logo metade do trabalho por vocês. Eu uso vermelho como uso qualquer outra cor, mas noto que o vermelho tem sempre um wow-factor associado. Parece-me que as pessoas acham que quando alguém coloca um vestido vermelho ou um batom vermelho, não foi inocentemente. E se alguém acha que eu me esforcei (sem ter esforçado), então obrigadinha, já ganhei pontos sem ter trabalho.
Portanto, querem estar giras e tchan, botem um vestido vermelho com detalhes dourados e toda a gente vai reparar em-como-a-prima-ana-rita-tão-bonita-que-ela-vinha-diz-que-está-solteira-e-está-a-tentar-desencalhar.
Não, não me chamo Ana Rita, nem estou encalhada. Mas sim, o vestido vermelho é uma opção que me agrada.



Segunda opção: vestido marfim. A opção para quem tem uma sogra spé bem.
Já vos disse que isto das sogras é pain in the ass na certa. Quem acha que tem uma sogra que é um amor de pessoa, provavelmente é porque a sua sogra é mais sonsa que as outras e disfarça melhor. Ou então o filho tem irmãos e é uma sogra que divide o mal pelas aldeias, ao ponto de não vos tocar assim muito.
Bom, mas voltando aos trapinhos.
Esta segunda opção, é uma opção mais discreta que o vestido vermelho, mas com um pop de Christmas, com a faixa e sapatos vermelhos. É aquele vestido super versátil, que se adequa a um sem número de situações e sobre o qual a sogra-spé-bem não terá muito a dizer, para além do "vá lá, que hoje a moça até vem decente".
E agradar a sogra é tudo aquilo para que todas vivemos, não é verdade?! #not



Terceira opção: the girl next door.
Vocês acham que eu ando sempre de saltos altos, mas são só 5 dias por semana. Aos fins-de-semana, esta vossa amiga também gosta de colocar uma calça de ganga e o seu all-star ou a sua bota rasa e espalhar magia por aí.
E esta é a opção da vossa amiga quando está à paisana. O xadrez é e será sempre uma wake up call saying that Christmas is at the corner. O vermelho e o verde também serão sempre as cores do Natal. Portanto vá de juntar tudo e sai a girl next door. Maquilhagem básica, roupa prática, flats confortáveis, mas sempre em bom. Boa opção esta, meninas, boa opção.



Quarta opção: novamente a prima. Mas não é a Ana Rita. É a Jéssica Leonor.
Ora a Jéssica, que no Insta dá com certeza pelo nome de @gatinhasexy, é uma miúda toda moderna, que não larga o seu smartphone, porque há todo um público que anseia pela sua atenção nas redes sociais.
A gatinha sexy, desculpem!, a Jéssica Leonor, usa sempre minisaia. O-que-é-bom-é-para-se-ver é o seu lema de vida. Como é Natal e está fresquinho, a Jéssica resolveu vestir uma malhinha por cima do seu crop top, onde havia um umbigo aos gritos "olhem para mim, que eu brilho no escuro".



Quinta opção: a Primeira-Dama.
Meninas, meninas, isto de ser dona de casa faz-tudo-e-ainda-trabalha-fora* é muito bonito, mas quando damos por nós temos o cabelo num carrapito e umas calças de flanela com manchas de lixívia. Cruzes canhoto!!!!
Portanto, vamos lá recentrar o debate e voltar aos vestidos e saltos altos.
Porra, é Natal, façam um sacrifício! Este vestido verde foi um achado, este sim também é tão versátil que já perdi a conta aos diferentes pares de sapatos que já usei com ele. Aqui optei por uns stiletto camel (no meu tom de pele, camel é o chamado "nude". Porque na verdade eu sou uma camêla. Pronto, era aqui que eu queria chegar.)
Ao olhar para a foto, só me ocorre dizer "Portuguesas e Portugueses! (...)"
Enfim. Calcem umas pantufas e a coisa suaviza logo.



Sexta opção (e última, senão não tarda tenho a opção bíquini Mãe Natal).
A camisola feiosa.
Quando eu era miúda (há bué da anos, portanto), usava-se aquelas camisolas natalícias, com renas, gnomos, bolas de Natal e etc. Nem sei onde se comprava aquilo (não é que já houvesse Primark ou H&M nos anos 80), mas lá que se usava, isso usava. E os pais/avós vestiam-nos aquilo e ainda entavalam a camisola dentro das calças, para ficar mais bonito. #soquenaoficava.
Hoje em dia, parece que as pessoas se divertem a revisitar esse conceito da camisola feiosa, mas em bom. Há camisolas, como esta, tão giras, que ficamos na dúvida se estará na categoria da sweat feiosa ou da camisola fashion, que ainda por cima é natalícia.
Aqui conjuguei com umas meias pretas e uns calções pretos, que um Elfo em lantejoulas pede alguma contenção no resto do outfit... :)



Para além destas 6 opções, obviamente podem sempre usar as vossas calças com manchas de lixívia e a camisola com borbotos. Cada um sabe de si, mas depois não digam que eu não avisei...
Pijama também vale, mas só se for para lá de giro (daqueles que apetece sair com) e se não forem para a mesa com ele...


* Rosa: vá lá, não se chateie, ficava bem dizer que faço tudo e ainda trabalho.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Três vivas à Banda Filarmónica da Amareleja

Estou muito contente com o feedback que tenho recebido lá pelo Instagram, relativamente às minhas propostas de mesa de Natal. 
Sim, só mesmo pelo Instagram, porque vocês por aqui aqui não me ligam nenhuma e depois vêm pedir que volte com o blog. Volta lá, mimimi mimimi. Suas mal agradecidas. Vá, mas eu perdoo. Também não gosto nada de seguir miúdas que falam mais do que mostram. Eu quero é ver bonecos e para isso vou ao Instagram. 

Bom, mas sim, isto de brincar às mesas tem tido uma certa piada. 
A quantidade de combinações diferentes que é possível fazer é qualquer coisa ao nível do número de carros na A5 em hora de ponta.

Mas vamos então continuar a brincar às mesas.

Pensavam que eu iria ficar rapidamente sem ideias?! É que se me deixarem, estou aqui a pôr a mesa para os meus amigos imaginários até ao Natal de 2017...

Hoje trago então a proposta #4.
Para vocês não dizerem que ah e tal, mas essa mesa não combina com as réstias de alho e cabeças de cebola que tenho penduradas na cozinha, aqui a vossa mais-que-tudo (sim, refiro-me a mim), traz-vos uma mesa rústica! 

Sabem aquele pão rústico do Continente que é mesmo muita bom?! É isto, mas em mesa. 
Quando for à TVI falar sobre esta mesa (é algo que está obviamente iminente), vou dizer à Cristina Ferreira que a ideia surgiu quando estava na fila para o pão. Só para dar aquele ar de artista que se inspira no quotidiano, sabem?  

Confesso que apesar de eu ser uma queque e de falar à menina-da-linha (yep, I've been told so), gosto imenso destas mesas rústicas. Gosto muito de materiais "naturais", como a madeira e a ardósia. Acabam por ter aquela elegância da simplicidade, que é obviamente a minha elegância preferida. Mas só porque é a mais fácil. Keep it simple, yet charming.

E foi isto que tentei trazer com esta mesa. Acaba por ser também uma mesa que não me deixa tensa e com os músculos todos presos, quando os primos pequeninos* estão a bater com os talheres nos pratos, como se fossem tambores da Banda Filarmónica da Amareleja (os pratos, não os miúdos) e eu vejo em slow motion pedacinhos microscópicos de Vista Alegre a voar. É uma mesa à prova de miúdos e de dores tensionais no trapézio, vá. 

* Alguém me empresta primos pequeninos para a Consoada? Lembrei-me entretanto que os meus cresceram e já não são pequeninos. E também já não passam o Natal connosco. Quem vai bater com os talheres nos pratos porque-o-bacalhau-nunca-mais-chega?! Maria......... nem penses!













terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Pede à Avó

Vamos lá despachar isto rapidinho, que ainda tenho mais 8.172 mesas para vos mostrar até ao Natal. 

Ora, vocês querem é variedade. 
Por isso resolvi variedar e trazer uma mesa para miúdos! Mas miúdos daqueles que saltam com os ténis no sofá, que partem copos, em quem os ganchos nunca ficam mais tempo na cabeça do que na boca, daqueles tira-lá-os-dedos-da-ficha-ou-levas-uma-palmada-no-rabo ou dos dá-um-beijinho-à-senhora-faxavor.

Pronto, miúdos a sério.

Nesta mesa há rebuçados, há bengalas de açúcar, há trenós e comboios. E na noite de Natal eles podem comer tudo o que lhes apetecer (menos trenós e comboios, mas se quiserem, é lá com eles). Entre a sopa e o bacalhau até podem comer os chocolates que a avó tinha na mala para lhes dar às escondidas da Mãe. 

O prato marcador é da De Borla. Prato branco de refeição e prato verde de entrada da Cerâmicas da Linha. Copo verde e copo branco do Espaço Casa. Copo de água vermelho da De Borla.*


* Por que raio os putos precisam de três copos?! Ah, é para não misturar o tinto com o branco...



































segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Pepperoni para o Brad

Ai não, isto é só para ocasiões especiais... Ai diz que pra semana temos visitas, vai lá buscar a baixela da Vista Alegre. Nah. Comigo não existe disso. Se eu tenho, eu quero é usaaaaaar. Menos as minhas toalhas feitas à mão. Ai de quem. Essas são só para contemplar.

Ora, nesta sequência, a segunda mesa que hoje vos trago, é então a minha proposta se-é-para-ir-vai-com-tudo.
Uma mesa mais elegante, com mais brilho, mais dourado, mais glitter, mais tudo o que eu tenho direito, porque o Natal é só uma vez por ano e não me lixem, que se não for no Natal, então não é nunca!

Mesa em tons dourados, prato marcador dourado vivo da Casa, Prato de refeição e entrada em avulso na De Borla, Loja do Demo #3 (mas só se tiverem olho para a coisa, senão obviamente é só uma loja de decoração low end). 

Esta mesa utilizaria para um jantar de passagem de ano em casa, ou um jantar de Natal com família do marido, que toda a gente sabe que família do marido é igual a pain in the ass e que há sempre uma tia a ver se a risquinha dourada do prato está a descascar ou se os talheres têm manchas. 
Ou então para um jantar a dois com o Bradley Cooper, que eu sei que ele não gosta de comer pizza em guardanapo.





domingo, 11 de dezembro de 2016

Compra o L e manda apertar.

Como já anunciei no Instagram, hoje comecei uma série de posts a que, num enorme rasgo de criatividade, chamei "À mesa com themasterbedroom". É "tipo assim" como se enfiasse um quarto na mesa, "tájaber"? Mas em bom, sempre em bom.

Ora, como sabem (ou imaginam), eu sou uma miúda muito dada a estas coisas da casa. Mais em termos de decoração do que de lides domésticas, para isso não contem comigo (Rosa: respect).

Quando estava naquela idade parva do vai não vai para deixar de brincar às "jovens adultas" (seja lá o que isso for) e começar a querer brincar aos IMIs, as pessoas começaram gentilmente a ofertar-me loiças e paninhos. Ah fazes anos? Toma lá uma luva de cozinha, que isso faz um jeitão. É Natal? Olha este Pirex, fazes aí um bacalhau com batatinhas que é de ir às lágrimas. E uma pessoa fica a modos que epa-antes-me-dessem-um-par-de-meias. E depois era olhar para a minha mãe e vê-la com um sorriso de gato das botas. (Tantos anos depois, confirma-se que à célebre pergunta "e o que é que ela quer/precisa/gosta?" a minha mãe invariavelmente responderia com um "Anda a preparar o enxoval, coitadita" - Coitadita é bom, dá sempre aquele ar de complacência, misturado com mal-sabe-ela-o-que-a-espera.

E foi assim que eu fui começando a acumular pratos em forma de folha de couve portuguesa e travessas que nunca na vida sentiram o calorzinho de um forno bem quente, porque o ano tem 365 dias e praí em 347 o microondas safa bem a coisa.  

Então mas e gostavas, rapariga?! Claro que não. Eu naquela altura queria que me dessem CDs, livros e roupa gira, não me venham cá com enxoval, que eu nem quero casar, deus me livre, não tenho paciência para homens.

Oh well... aqui a pessoa cresceu e quem diria que iria chegar o dia em que se iria enfiar numa loja de loiças ao kg e suspirar profundamente por tigelas e pratos, coisa-mai-linda-da-sua-mãe.

É que há duas coisas das quais uma pessoa não se orgulha e nem comenta assim publicamente em blogs. A primeira é ter comprado um L nos saldos da Zara, porque não havia o XS e ai do mundo!, se eu saio daqui sem comprar nada!!! Compra o L e manda apertar! A segunda coisa é ter recebido algures no tempo a tal folha de couve estilo Bordallo Pinheiro e ter rido a bandeiras despregadas, enquanto arrumava numa caixa debaixo da cama e dizia "vai para o lixo ao primeiro destralhar".
Eu culpada me confesso.

Enfim. Hoje, enquanto me deliciava a preparar uma mesa de Natal para convidados inexistentes, revivi um bocadinho estes momentos da minha adolescência e foi com algum agrado que percebi que sim, realmente sou capaz de ter crescido (mas o L continua a não me servir). Que agora pôr uma mesa bonita é das coisas mais prazerosas que há para aí.

Vá, bora lá à mesa. 
Normalmente faço sempre mesas com loiça branca (é a minha perdição, tenho TUDO o que é loiça que possam imaginar... em branco). Este ano resolvi explorar outras opções e mostrar-vos tudo.
A primeira é esta coisa-mais-fofa. Prato marcador em cinza, prato de refeição em branco e prato de entrada em vermelho. Todos da Cerâmicas da Linha, essa loja do demo número 2. A #1 toda a gente sabe que é a Zara Home.

Não sei bem que tipo de mesa será esta. Eu diria que é clássica na forma, mas meio moderninha, por causa do encarnado. 
Esta usaria para um almoço de Natal mais informal, com amigos, ou um jantar com família próxima.*







* Uma vez convidei uns amigos para jantar e pus uma mesa que... enfim, tinha tantos talheres que nem eu sabia por onde começar. E eles disseram-me "Rapariga, tu nunca na vida vais ser convidada para lá ir a casa, nós só temos 4 pratos e 16 talheres". Acreditem, eu não ponho estas mesas para intimidar ninguém. É mesmo porque se não for em situações reais, será só mesmo para fotos de Instagram e isso é um bocadinho parvo. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Sol e palmeiras na Buraca

Ora ontem foi feriado por estas bandas e eu cá não sou uma manta velha para ficar atirada para cima do sofá num feriado (mas até costumo ficar).
Peguei no BFF (meninas, o BFF é meu amigo, obviamente - isto para responder às vossas direct messages no Instagram sobre o parentesco do dito cujo comigo) e ala para Cascais, que eu quero é areia, sol e água salgada.
Dia lindo (eu e o meu BFF levamos o sol connosco para onde quer que vamos.  Querem sol e palmeiras na Buraca?! Liguem-nos, que nós levamos).
Almocinho rápido no Estoril e ala esplanadar para Cascais.
Pelo caminho, fotos do look.
Themasterbedroom não tem apenas blusas de crescida e blazers no seu closet. Embora tenha para cima de... vá, muitos. 
Look descontraído* e "a" maquilhagem, porque só sei mesmo fazer esta. Se for preciso mais uma sombrinha, já foi direitinha às meninas da Inglot, que elas tratam do assunto com distinção. Como sabem, eu tenho um problema com maquilhagem. Adoro, mas a menos que mude radicalmente as cores (e eu não sou propriamente pessoa disso das cores), parece-me sempre tudo igual na minha cara. E se parece igual, mais vale fazer igual e não me chatear muito com o assunto.

Comentário do marido: pareces um rapazola, nem brincos tens.
Comentário do BFF: sempre fantástica.
Screw the husband.

* Um dia encontrei por acaso um cliente num domingo. Eu estava vestida normalmente, como me visto de fim-de-semana, sei lá, umas calças de ganga e uma sweat, e ele perguntou se eu estava em pinturas em casa. Então está bem...









segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O Brunch do Olivier

Lisboa está cheia de brunchs (leiam mesmo brunches, que eu sei que vocês dizem brunches).
Dos que têm vianinhas com manteiga e doce de tomate e leitinho fresco em jarra de barro e, vá, na loucura, uns croissants e brioches… aos que têm sushi e lasanha. Os meus preferidos são os primeiros.

@themasterbedroom e seu BFF resolvem ir experimentar o brunch do Olivier Avenida.

Mas isto de “ir ao brunch” tem muito que se lhe diga. 
É que eu cá sou mãe e quem é mãe (e pai - se houver pais por aí, dedo no ar que eu quero ver-vos!) sabe que os miúdos acordam às 7h00 da manhã e não às 12h00. Parece que aquelas barriguinhas estão programadas para o leitinho das 7h30. Ou então estão bem programadinhos mas é para a Patrulha Pata que, pasmem-se, também começa às 7h30. 

Enfim. Onde eu quero chegar é que aquelas alminhas acordam às 7h00. Sendo assim, o afamado conceito de brunch é só parvo. Mais parvo ainda é saber que os (supostos) melhores brunchs exigem marcação prévia. Ou seja, cai por terra aquela cena idílica de uma noite do caraças, do acordar quando o corpo quiser e aquela sensação de perda de  noção de tempo e espaço e bora ao brunch que estou esganada. A última vez que tive disso foi para aí no secundário, não foi seguramente neste domingo. 

Bom, mas recentrando o assunto. 
Uma pessoa na véspera já sabe que vai acordar cedo no dia seguinte, com um pé enfiado na cara ou com alguém aos saltos na nossa  barriga "puque o sol já cudou". Provavelmente ainda deixa uma máquina roupa estendida e outra a lavar. 
Com sorte (ou azar) ainda troca uns lençóis, que a miúda fez xixi na cama e só demos por ela na manhã seguinte. 
Com mais sorte ainda (porque um azar nunca vem só), acabou o leite e ninguém deu por ela mais uma vez, por isso ainda se dá um saltinho ao supermercado e-já-que-estamos-aqui-até-fazemos-as-compras-da-semana e deixamos um franguinho a descongelar para o jantar.E nisto ainda estamos em jejum, porque raisparta!, se é brunch é brunch e ai de quem puser uma bolachinha de água e sal no bucho antes de serem declaradas abertas as hostilidades. 

Bom, depois de uma manhã inteira de business as usual, lá nos lembramos que também somos gente. 
Pai, segura aí as pontas, que eu vou ali fingir que acordei assim há 20 minutos, liguei a um amigo e bora daí ao Olivier. Nada combinado. 
Antes disso, escolhe-se um trapinho que nos dê um ar brunchista e não ar de quem teve a lavar lençóis com xixi, chove para caraças, mas a pessoa tem sapatos novos e quer lá bem saber da chuva (mas afinal parou de chover e ficou um dia lindo. Eu tenho uma estrelinha).

E é assim que chegamos lindos e maravilhosos ao Olivier Avenida (nós chegamos sempre lindos e maravilhosos a qualquer lado, é característica nossa. "É diretor ou diretor adjunto?" - uma private para o meu BFF que há de estar a ler este texto).  

Ambiente 5 estrelas que já conhecia - já tinha jantado por lá, mas brunch foi a primeira vez.
A oferta é variada, o Olivier está obviamente naquela segunda metade dos brunchs em que só falta mesmo o ensopado de borrego e as batatinhas a murro. Se bem que uma pessoa chega e a modos que não quer ir logo atacar à bruta, começa por um iogurtinho aqui, um suminho ali, uma panqueca porque-cheiram-tão-bem e nisto são 15h00 e ainda estamos esganados de fome, porque as 7h00 já lá vão e depois das lides domésticas o apetite está nos píncaros - sai um ensopado de borrego, sim senhor.

Bom, a minha avaliação do dito cujo (do brunch, não do ensopado - na verdade não havia ensopado, mas havia lasanha), infelizmente não é das melhores.
Não provei tudo, obviamente, apenas porque não consigo comer lasanha em jejum, nem depois de um iogurte com cereais. Preciso de pelo menos 3 horas in between, senão sai asneira.
Também não provei o sushi (que como estamos todos carecas de saber que é do Yakuza, e este último é do mesmo bom), porque o aspeto era de sushi de centro comercial, ou daquele que fica ali a rodar no tapete um dia inteiro. Quem estava comigo provou e... suspeitas confirmadas. Looooonge do que estamos habituados (somos habitués ou quê?!) no Yakuza.


Resumindo, 25€ por panquecas, iogurte, uns queijinhos e pouco mais.Anyway, valeu pelo espaço, curiosidade (estava na minha lista de sítios para experimentar), mas sobretudo pela companhia, como sempre.










Em termos de trapinhos, que é o que vocês gostam de ver, optei por um look preto e branco (#chataaaaaa).
O meu BFF, como sempre do mais stylish que há.